Andanças de uma cidadã jornalista e professora, pelas ruas, bairros, em Santa Catarina, litoral Sul Maravilha, Brasil. Ou pelos cantos de casa mesmo, em conversa com meus botões.
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Jovem sai para divertir-se e volta morto em Balneário Camboriú
Jovens estão morrendo em todas as classes por causa de banalidades, violência, roubo, brigas, falta de ocupação, drogas. Morre-se muito na faixa dos 18 aos 25 anos. A comoção é maior quando morre um rapaz de classe média, de família conhecida, em uma cidade pequena. As pessoas se espantam de estarem tão ameaçadas no seu dia a dia. Sai para divertir-se com a namorada e amanhece morto, com uma bala na cara, por causa de assalto. Outro caso chocante foi o da moça que caiu de bicicleta, e bateu a cabeça.
No dia em que o Aldinho Fronza, ex-aluno, nos surpreendeu com sua partida súbita, estive no velório no Crematório Vaticano. Tentei colocar num bloquinho aquelas sensações difíceis de serem traduzidas. Foi uma forma de não deixar o esquecimento e a banalização apagarem tudo.
"A Br 101 segue movimentada, com caminhões e carros prá lá e prá cá. Nem ali no Crematório Vaticano a vida parou. O jovem Aldinho, 35 anos, mas jeito de garoto de vinte e poucos, está morto. Daqui a pouco seu corpo será levado, para ser devolvido à família na forma de cinzas. Uma bala acabou literalmente com seu sorriso nesta sexta-feira. A velha mãe está desolada ao lado do caixão do seu menino, que morava com ela e era o companheiro de jornada.
O morto poderia ser alguém de nossa própria família, que nesta manhã também sofreu um assalto à mão armada, em um escritório. O fato inédito foi praticado por dois jovens, um deles de família também de comerciantes. Este rapaz logo estaria solto por ser usuário de drogas e ter família que lutou juridicamente por ele. Gente assaltada por ele acabou sendo atendida pelo comércio da família dele. Teremos que perguntar agora, ao solicitar um serviço, se é da família do assaltante fulano ou ciclano?
Na tela do Crematório Vaticano, lindas imagens de água e floresta, mar revolto, penhascos. Para os familiares, a vida parou ali naquele momento doloroso. Para outros é só um acontecimento social, mais ou menos penoso. Conhecidos se encontram e se cumprimentam, trocam notícias. Por pouco o papo não fica até alegre. A literatura está repleta de folclore sobre enterros. O crematório ainda é novidade, mas já está se tornando rotina, inclusive com funerais de pessoas de todo o estado, pela falta de opções locais.
O teto de gesso branco é pontilhado de estrelinhas brilhantes de luz azul. A música suave é suplantada pelo burburinho das vozes. Daqui a pouco, às 21 horas tudo acaba, com pétalas de rosas sobre o caixão. A vida é frágil. Todos seguirão seus caminhos. Outros fins chegarão a outras vidas, com outros reencontros no crematório, talvez no cemitério, cada vez mais sem espaço.
Na plateia de poltronas confortáveis, amontoa-se gente nova, gente velha, mulheres grávidas. No velório do salão ao lado, circulam crianças porque a morta é a mãe de Reti Jane Popolier, responsável pelo abrigo "Casa da criança". Um delegado destaca-se entre os presentes ao velório do rapaz assassinado.
Filhos deveriam enterrar os pais, como aconteceu com Reti Jane. Numa pacata cidade de Santa Catarina não deveria ser tão problemático andar por ai ou sair para divertir-se. Os inimigos já não são os pobres e o pretos, mas qualquer garotão classe média ou alta, viciado de miolo mole, que se deixa levar por atos criminosos. O garoto do próprio condomínio ou de uma casa vizinha. Passou a hora das famílias reverem suas relações, todos se preocuparem com todos, reforçar a boa e velha solidariedade social e os ideais humanistas".
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Realmente e muito triste. Eu nunca conheci ele, mas esta noticia foi a mais triste nesses ultimos anos. Ate quando que esse tipo de violencia vai parar? Eu nao entendo isso o que esta acontecendo.
ResponderExcluirUm dia o padre Ladi, da paroquia Santa Ines, falou: o bem sempre vence o mal, mas ao contrario, sera que o bem vence ao mal ou nao?
Essa pergunta ainda gera duvida entre nos, nao e?
obs: eu tentei colocar os acentos, mas n~~ao consegui, valeu?
deus lhe abençoe, Aldinho.